Manuela Falcão                               Cacto-Orquídea, group show, june 2024 — Factory Lisbon, Lisbon


Cacto-Orquídea

enorê |  Francisco Trepa | Heron P. Nogueira | Inês Brites | Kenny Mendes
Luana Vitra | Manuela Falcão | Maria Máximo | Pablo Quiroga Devia | Pedro Barassi
Pedro Liñares |  Sofia Montanha | Tom Solty | Vasco Futscher

curated by Ana Grebler and Pedro Barassi




Brota uma planta no ralo de um terraço e me pergunto como aquela semente foi parar ali. Em quanto tempo ela criaria raízes capazes de tomar o prédio inteiro? Após duas semanas de viagem, onde antes havia um jardim, há um vislumbre de reocupação da natureza, uma personalidade que se manifesta silenciosamente: de floresta.
Cacto-orquídea é uma planta híbrida nativa das zonas tropicais da América, a abertura de sua flor pode se dar por apenas uma noite, ou dois dias. Quase sempre camuflada entre as árvores, à meia sombra, também pode ser encontrada no vaso kitsch de um apartamento em alguma metrópole. Na primavera, o seu fugaz desabrochar assinala a natureza da impermanência, de repente já foi, aconteceu.
Além de uma analogia com a duração da exposição, especulam-se dicotomias que convivem neste microclima. Reflexos cintilam a água corrente, prazeres secretos criam raízes e sementes de árvore de plátano crescem em meio aos equipamentos da antiga fábrica, ambiente onde não existe o tempo puramente contemplativo ou qualquer coisa de frágil e ornamental, mas tudo foi planejado para ser funcional, produtivo. Por trás dos vidros, o movimento das gruas recorta a paisagem enquanto pequenas flores brotam das ervas nas fissuras do asfalto.
Sob o concreto, um jardim atravessado por pinturas, esculturas e instalações aproxima opostos, evocando a força dual e ambígua do processo de vida e morte das coisas. Observar as plantas é também uma forma específica de encarar o tempo e perceber o seu movimento, por vezes sutil, outras vertiginoso. Em meio à Flora, fauna e mitos, a intensidade das cores vai aos poucos se perdendo, até que uma nova flor desabotoe.

A plant sprouts in the drain of a terrace and I wonder how that seed got there. How long would its roots take to grow over the entire building? After two weeks away, where there used to be a garden, a glimpse of nature reoccupies the area, a personality silently manifesting itself: a forest.
Cactus-orchid is a hybrid plant native to the tropical zones of America, its flower can open for just one night, or two days. Often camouflaged among the trees, in half shade, it can also be found in the kitschy vase of an apartment in some city center. In spring, its fleeting blossoming signals the nature of impermanence, suddenly it's gone, it's happened.
In addition to an analogy with the running time of the exhibition, there are dichotomies that coexist in this microclimate. Reflections sparkle in the running water, Secret pleasures take root and plane tree seeds grow among the equipment of the old factory, an environment where there is no purely contemplative time or anything fragile and ornamental, all has been planned to be functional and productive. Behind the glasses, the movement of the cranes cuts the landscape while small flowers sprout from the grass in the cracks of the sidewalk.
Under the concrete, a garden crossed by paintings, sculptures and installations brings opposites together, evoking the dual and ambiguous force of the process of life and death. To observe plants is a specific way of looking at time and perceiving its movement, sometimes subtle, sometimes vertiginous. In the midst of Flora, fauna and myths, the intensity of the colors gradually fades, until a new flower blooms.




Ana Grebler, Pedro Liñares & Pedro Barassi



Manuela Falcão

selected work
2025 - 2026
2023 - 2024
2021 - 2022

group exhibitions/fairs
2026
    Perfect Timing
    Peso #Dobra01
    Art Brussels
2025 
    Artist Rooms
2024 
     Cacto-Orquídea  
 

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